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Condições normais de temperatura e pressão
Após o fim de um relacionamento, um homem passa a experimentar uma dissolução lenta entre memória, corpo e realidade cotidiana. Incapaz de elaborar a perda, ele se refugia no trabalho, no silêncio e em relações que funcionam mais como anestesia do que como vínculo. Enquanto o tempo avança de maneira irregular — às vezes estagnado, às vezes acelerado — a cidade e o apartamento se tornam extensões de seu estado interno. A narrativa acompanha a progressiva desorganização emocional do protagonista: primeiro a ausência, depois a substituição, o excesso, a exaustão física e, finalmente, um estado de quietude no qual a dor já não grita, mas permanece como marca. Entre deslocamentos pela cidade, encontros fracassados e pequenos rituais cotidianos, o romance investiga como o corpo continua vivendo mesmo quando a linguagem falha. Dividido em três movimentos — afastamento, queda e reorganização — Condições normais de temperatura e pressão é um romance sobre a experiência íntima da perda, a dificuldade de permanecer presente e a lenta reconstrução da percepção de si.
Marjorie Rosa (Curitiba/PR, 1993), escreve ficção centrada em memória, silêncio e experiência corporal das perdas afetivas. Seu trabalho explora a relação entre rotina, linguagem e ausência. Condições Normais de Temperatura e Pressão é seu primeiro romance.
Marjorie Rosa apresenta, neste belo romance, uma narrativa consistente e uma prosa contida, precisa e sensorial, capaz de transformar o luto e o arrependimento em matéria literária, sem jamais ceder ao sentimentalismo. O leitor acompanha o fim de um relacionamento, o vazio e a sensação de abandono que se instalam nas personagens depois da ruptura, além do lento e doloroso processo de reconhecimento das próprias falhas. É ao acompanhar esse percurso de perdas, silêncios e descobertas que o romance ganha força e beleza.
Por Whisner Fraga
Condições normais de temperatura e pressão traz o tempo como protagonista. A narrativa avança no ritmo das coisas que não se deixam apressar, oferecendo ao leitor uma experiência que resiste à urgência do mundo. O amadurecimento das personagens acontece em etapas, lentas e dolorosas, e essa duração se inscreve na própria prosa: nas digressões, nas imagens e nas analogias que atravessam a trama, acompanhando o trabalho invisível dos dias sobre a matéria viva das lembranças.
O narrador revolve cada gesto vivido, não em busca de clemência, mas para compreender o que se perdeu no caminho, procurando nos gestos e nas pausas uma resposta para as perguntas que permaneceram.
A perda não chega de súbito: nasce devagar, uma erosão. Ao retornar às ruínas do relacionamento, o narrador percebe, aos poucos, o quanto esteve cego para o outro. Restam os despojos do amor, às vezes deformado pela mágoa, e o retrato de quem confundiu presença com permanência, cuidado com provisão e futuro com adiamento. A memória encontra o arrependimento e sua verdadeira dimensão: a consciência tardia de que não é possível desafiar o passado.
Mais sobre a autora e o livro:
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Edição: 1ª
Ano: 2025
Assunto: romance
Idioma: Português
País de Produção: Brasil
ISBN: 978-65-83126-51-1
Formato: brochura, 14 x 21 cm
Nº de Páginas: 164